quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Traição, ciúme, honestidade e fé

Numa das encruzilhadas da minha vida descobri o fascínio pela busca espiritual.
O escritor PAULO COELHO foi consequência desse fascínio. Desde então, tornei-me subscritora da newsletter Guerreiros da Luz e leitora assídua da sua coluna semanal e da sua
mensagem do dia. Acho-o um espiritualista que sabe passar para o papel, embora nem sempre visiveis aos olhos, ensinamentos preciosos para um planeta cada vez menos empenhado na sua saúde, dignidade e humanidade.
A edição desta semana (nº 153) do Warrior of The Light transmite-nos alguns principios que gostaria de passar ao meu filho.

Conversas com crianças
O que é traição?
O profeta caminhava pela rua, perguntando: "não somos todos filhos do mesmo Pai Eterno?".
A multidão concordava. E o profeta continuava: "e se é assim, por que traímos nosso irmão?"
Um garoto que assistia, perguntou ao pai: "o que é trair?"
"É enganar o seu companheiro para conseguir determinada vantagem".
"E por que traímos nosso companheiro?" insistiu o garoto.
"Porque no passado alguém começou isto. Desde então, ninguém sabe como parar a roda. Estamos sempre traindo ou sendo traídos".
"Então não trairei ninguém", disse o garoto.
E assim fez. Cresceu, apanhou muito da vida, mas manteve sua promessa.
Seus filhos sofreram menos e apanharam menos.
Seus netos nada sofreram.

Sobre o ciúme
Quando tinha onze anos, Anita foi reclamar com a mãe. "Não consigo ter amigas. Como sou muito ciumenta, elas se afastam".
A mãe estava cuidando de pintinhos recém-nascidos, e Anita pegou um deles, que logo tentou fugir. Quanto mais a menina apertava-o na mão, mais o pintinho se debatia.
A mãe comentou: "experimente pegá-lo com suavidade".
Anita obedeceu. Abriu as mãos, e o pintinho parou de se debater. Começou a afagá-lo, e ele aninhou-se entre seus dedos.
"Também os seres humanos são assim", disse a mãe. "Se você quer prendê-los de qualquer jeito, eles escapam. Mas se for doce com eles, irão permanecer sempre ao seu lado".

As três coisas
Chen Ziqin perguntou ao filho de Confúcio: "teu pai te ensina algo que não sabemos?"
O outro respondeu: "Não. Uma vez, quando eu estava sozinho, ele perguntou se eu lia poesias. Respondi que não, e ele mandou que lesse algumas, porque abrem na alma o caminho da inspiração divina.
" Outra vez ele me perguntou se eu praticava os rituais de adoração de Deus. Respondi que não, e ele mandou fazer isto, pois o ato de adorar faria com que entendesse a mim mesmo. Mas nunca ficou me vigiando para ver se eu o obedecia”.
Quando Chen Ziqin retirou-se, disse para si mesmo:
"Fiz uma pergunta, e obtive três respostas. Aprendi algo sobre as poesias. Aprendi algo sobre os rituais de adoração. E aprendi que um homem honesto nunca fica vigiando a honestidade dos outros”.

Em busca da chuva
Depois de quatro anos de seca na pequenina aldeia, o pároco reuniu todos para uma peregrinação até a montanha; ali fariam uma prece coletiva, pedindo a chuva de volta.
No grupo, o padre notou um garoto, agasalhado e coberto por uma capa de chuva.
"Você enlouqueceu?", perguntou. "Nesta região não chove há cinco anos, e a subida vai lhe matar de calor!"
"Estou resfriado, padre. Se vamos pedir a Deus que chova, já imaginou a volta da montanha? Vai ser tal a enxurrada que preciso estar preparado".
Neste momento, ouviu-se um grande estrondo no céu e as primeiras gotas começaram a cair. Bastou a fé de um menino para realizar um milagre esperado por milhares de homens.