terça-feira, 6 de julho de 2010

Conta-me Histórias!!!

As festividades em Boliqueime continuam a ser em redor da Igreja, as tradicionais tasquinhas servem-nos a deleite a gastronomia de outrora -milhos, carne frita, presunto e queijo com pão, chouriça assada, papas de xerém, galinha com grão- e o recinto continua a ser animado por artistas ou grupos de música popular e pelo som dos acordeões.
Mas o medronho, a melosa e a ginjinha já não têm a piada de outrora. Não sei se a culpa é da idade ou da responsabilidade.
Este ano, no sábado, fomos sem o pituko, o que resultou numa noitada como já não tinha há muitos anos! Mas acabei sóbria! Bem, sóbria não é propriamente verdade, mas as bebedeiras de antigamente eram mais dignas do nome!!
Eu ainda sou do tempo das grandes ressacas. As bebedeiras de antigamente eram mais dignas do nome, porque quando as apanhávamos, sabíamos que no dia seguinte estariamos no inferno! A boca sabia a papel de jornal, a sede era de elefante, a cabeça era martelada e jurávamos que nunca mais iriamos beber, mas, antes dos trinta, o "nunca mais" dura até às festas do ano seguinte.
A ressaca era a prova de que a retribuição divina existe e que nenhum prazer ficaria sem castigo: náusea, azia, dor de cabeça... E tentava-se de tudo para evitar a dita: eno, alka-seltzer, rennie, kompensan, guronsan, duas aspirinas antes de dormir, ou uma cerveja bem fria ao acordar!
E a canjinha de galinha que a avózinha fazia para o almoço resolveria o restante!
As novas gerações não conhecem a ressaca, o que talvez explique a falência de velhos valores.
Hoje, as bebedeiras não têm a mesma grandeza. São inconsequentes, literalmente. Os miúdos entusiasmam-se com as bebedeiras que já apanharam ou vão apanhar, mas não existe mais disto. Bebem, bebem e não acontece nada. No dia seguinte estão saudáveis e bem-dispostos.
Eu ainda sou do tempo em que, no dia seguinte, o pessoal se saúdava em silencio.
A todos vós, companheiros veteranos de velhas festas, um brinde!!

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